Por: Edinéia Alves
A comunidade de Santa Izabel (região de Citrolândia – Betim) é muito organizada. Isso facilitou o trabalho de apuração e pesquisa do nosso documentário.
O primeiro passo foi entrar em contato com os representantes de associações e organizações que atuam na área. A Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), responsável pela área da saúde no local, foi representada pelo Diretor do Hospital, Dr. Ricardo Chiguero. A Funarbe (Fundação Artísitco-Cultural de Betim) pelo coordenador do Centro Popular de Cultura, Ubiratan Santana. E o Morhan – Movimento de Reintegração do Hanseniano, foi representado pelo seu coordenador e também responsável pelo Museu da Colônia Santa Izabel, Helio Dutra.
As entidades possuem acervo documental e histórico sobre a antiga Colônia Santa Izabel. Histórias de atrocidades e preconceitos vividas pelos moradores e internados atingidos pelo mal de Hansen. Todas as pessoas com as quais conversamos foram muito receptivas ao nosso trabalho, não negando informação e sempre indicando alguma fonte de pesquisa e personagens para compor o documentário.
A minha percepção pessoal com relação ao que ouvimos no período de apuração é que os moradores são pessoas com pouco poder aquisitivo, sofridas, vítimas de preconceito e que guardam seqüelas de uma doença gravíssima que é a Hanseníase ou Lepra. Porém são felizes e querem levar uma vida comum de total integração com a sociedade.
SOB O OLHOS DE SANTA IZABEL
Quando elegeram Santa Izabel para ser a padroeira da comunidade, os moradores depositaram nas mãos da Santa um destino marcado de altos e baixos, alegrias e tristezas, saúde e doença. Muitos não escolheram aquele lugar para morar. Foram trazidos à força para ficarem confinados num sanatório, longe de suas famílias. Apesar de terem sofrido muito e suas histórias serem emocionantes e ponteadas com narrativas chocantes, eles fazem questão de mostrar a superação de seus problemas. Não falam nunca a palavra lepra, porque eles acham pejorativo. Preferem que o lugar onde moram seja chamado de bairro Santa Izabel e não de Colônia. Que o local de tratamento passe a ser chamado de Casa da Saúde.
Mesmo fazendo parte de uma estatística negativa que o coloca entre os bairros mais violentos da cidade, para muitos moradores, Santa Izabel ainda é o melhor do mundo para se viver, apesar de tudo.Mesmo com todas as mazelas reservadas aos moradores de Santa Izabel, eles passam para seus visitantes uma alegria de viver muito grande. Essa alegria é demonstrada desde o início da então Colônia, quando foi erguido, em 1920, um portal com uma inscrição em Latim “Hic Manebimus Optime”, que significa “Aqui vivemos Bem”. Outros traços reforçam essa alegria que persiste em permear a história triste dos hansenianos.
Na década de 40, o Cine Teatro Glória era o mais freqüentado da região. Abrigava exibição cinematográfica, peças de teatro, bailes de gala com orquestra e convidados especiais. Entre um e outro toque de recolher, eles se divertiam, namoravam, levavam uma vida comum e feliz. Numa história mais recente, a Escola de Samba “Acadêmicos de Citrolândia” brilhava na passarela do carnaval de rua de Betim, na década de 80. O Coral Tangarás de Santa Izabel mostra até hoje a força e a alegria de sua voz. Ou seja, eles fazem de tudo para esquecer um passado de penúrias.Parece mesmo que a padroeira Santa Izabel não tira seus olhos protetores daquela gente e insiste em tomar conta de seus filhos.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
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